quinta-feira, 12 de abril de 2012

GARIS TIRAM A POEIRA DAS ANTIGAS LIÇÕES PARA MERGULHAR NAS LETRAS

      De vassouras nas mãos, agilidade nos pés e uniforme alaranjado, os garis se espalham pelas ruas das cidades. São especialistas em limpar a sujeira deixada pelos outros. No centro da capital paulista, eles se reúnem para o almoço ou a troca de turno no alojamento dos garis. Para aproveitar o movimento e dar oportunidade a esses homens e mulheres, a ONG Educa São Paulo instalou ali, há três anos, uma biblioteca comunitária.
     A sala novinha, recheada com quatro mil exemplares de livros, jornais erevistas, logo chamou a atenção. Era só sobrar um tempinho entre uma faxina e outra que alguém aparecia para folhear um capítulo. Mas ficava só nisso: clássicos da literatura, romances, suspenses permaneciam nas prateleiras. Os organizadores da biblioteca perceberam que, apesar de muitos garis terem o Ensino Médio completo, alguns não conseguiam sequer ler as manchetes dos jornais.
     São os chamados analfabetos funcionais, aqueles que conhecem as letras, mas não conseguem interpretar as frases. Foi então que a ONG fez uma parceria com a PUC de São Paulo. Os alunos da universidade tornaram-se professores voluntários. A biblioteca virou sala de aula com 120 garis matriculados, seduzidos pela ideia de tirar a poeira das antigas lições. A aula de reforço abriu o mundo da literatura para os servidores do centro. Os livros agora viajam pela cidade. Substituem as vassouras e limpam a mente de quem limpa São Paulo.
(Disponível em: <http://www.almanaquebrasil.com.br> Acesso em: 2 jun. 2011.)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

COMO PEDRO MALASARTE EVITOU QUE O MUNDO DESABASSE

     Vinha Pedro Malasarte viajando por uma estrada, quando lhe deu vontade de verter água. Encostou-se a um paredão pertencente a uma bonita chácara. E quando estava no melhor, apareceu o dono da chácara, de bota e espora, alumiando raiva nos olhos, armado de uma baita espingarda, a perguntar-lhe quem tinha lhe autorizado fazer aquilo ali.
    Malasarte disfarçou e respondeu:
   — Ah! Meu senhor, desde manhã que estou aqui encostado, sem comer, nem beber, só por causa dos outros.
   — Por causa dos outros? Como, assim, por causa dos outros?
   — Estou escorando o mundo.
   — Ara sô, você está doido!
   — Pois é verdade, seô patrão, vinha eu caminhando com meus pensamentos, no meu quieto, mas, quando cheguei neste lugar, me apareceu a figura de um anjo que veio descendo do céu, envolto em luz muito brilhante, que me disse estas palavras:
   — Por ordem do Senhor Deus o mundo vai acabar à meia-noite de hoje. Imagine o susto que não levei! Mas o anjo me aquietou:
   — Há um remédio para se evitar isso: é encontrar alguém que escore este muro, desde este momento até depois da meia-noite. Se é só isso, não tem problema, respondi ao anjo, vou cortar uma estaca...
   — Não, não há tempo. Antes de um minuto o muro deve estar escorado. E me empurrou para aqui onde me acho sem poder arredar o pé, pois, se saio, o mundo vem abaixo.
   — Deveras! Então, é melhor você escorar bem esse muro.
   — Ah! Se o patrão me fizesse o favor de tomar um bocadinho meu lugar enquanto eu vou ali ao mato cortar uma escora para o muro, tudo estará arranjado, mesmo porque se eu ficar aqui por mais tempo, não vou resistir e o mundo virá abaixo. Ninguém escapará, a morte é certa.
    O chacareiro pensou e resolveu tomar o lugar de Pedro que prometeu voltar logo com a escora, e até hoje está sendo esperado.

 (Histórias de Pedro Malasarte. www.recantodasletras.com.br)


ABRAÇO PELA INTERNET

   Hoje acordei com um peso no coração e uma tristeza maior do que as outras.
   Olhei ao redor e não vi ninguém para cuidar de mim.
   Percebo que o mundo todo está ao meu lado, só para receber o que tenho para dar...
   E eu:
   corri,
   me arrumei,
   fui trabalhar
   corri,
   cansei, pensei, busquei,
  quase me entreguei, lutei e cansei.
  E me vi mais sozinha do que nunca
  Pensei em você
  E quis que você estivesse aqui.
  Mas você não pode!
  Está tão longe,
 E entrando na net,
 Ao ver tudo isso, eu lhe peço:
 Manda-me um abraço pela Internet?

Renata G. Guimarães

(Site: www.despertardavida.com)